Anderson 65 visualizações 04/11/2018

Breve História da Cerveja

Vou começar situando um pouco mais o leitor no universo cervejeiro, contando um pouco da sua história. Dizem que o mais antigo registro sobre produção de cerveja tem pelo menos 6.000 anos e vem da civilização suméria. O processo foi acidental. Grãos colhidos, molhados pela chuva, terminaram germinando, maltando, fermentando e gerando essa cerveja rudimentar, porém, refrescante e embriagante.

Nas abadias da igreja católica produziam cerveja, pois lhes era permitido consumir no jejum. Chamavam a bebida de pão líquido. Os monges foram, e ainda são, guardiões de receitas e técnicas de preparo de cerveja de alta qualidade. Muitos mosteiros sobreviviam da renda do comércio da cerveja.

Em 1516, cervejeiros alemães promulgaram a Lei da Pureza da Cerveja, que serviria como garantia de qualidade e padrão, definindo uma receita minimalista composta por água, malte (de cevada ou de trigo) e lúpulo. Apesar de presente, a levedura ainda não era conhecida.

A cerveja demorou a chegar ao Brasil, pois os portugueses temiam perder o filão da venda dos seus vinhos. No ano de 1637, Recife se tornou o principal porto da Companhia das Índias Ocidentais no Brasil e em 1640 fundaram lá a primeira fábrica de cerveja das Américas.

Nos Estados Unidos, por volta de 1880, o negócio cervejeiro prosperava. Já engarrafavam automaticamente e distribuíam a cerveja em grande parte do seu território, através de ferrovias. Os pontos de venda e as casas já podiam contar com refrigeradores.

Em 1888 surgem as duas maiores cervejarias brasileiras. A Companhia Cervejaria Brahma e a Companhia Antártica Paulista. Em 1999 surge a Ambev com a fusão da Brahma e da Antártica. Em 2004, a Imbev, com a fusão da Ambev com a Interbrew, maior empresa de bebidas da Bélgica. Em 2008 a Imbev compra a americana Anhuser-Busch e se torna a maior cervejaria do mundo em produção e vendas.

Escolas e estilos

Existem quatro escolas que referenciam os estilos de cerveja no mundo. Três são seculares. A alemã, a inglesa e a belga. Existe, também, uma mais recente. A americana. A escola alemã é tradicional, purista, com cervejas mais claras e límpidas.

A escola belga, diferente da alemã, permite a adição de diversos ingredientes aromáticos como cascas de laranja, sementes de coentro, frutas, mel, leveduras selvagens, outros tipos de cereais. Os belgas são grandes cultivadores de cepas de leveduras.

A escola inglesa é bastante marcada por suas Ales escuras, mais maltadas e menos carbonatadas e alcoólicas. A escola americana incorporou as outras três e com elas fez uma quarta, completamente nova. Tem o lúpulo como ator principal por seu grande apreço ao sabor amargo e aos seus aromas.

Na década de 1960, alguns grupos nos Estados Unidos começaram um movimento de promoção das microcervejarias artesanais chamado Craft Brewing. Esse movimento chegou recentemente ao Brasil. “Apesar de termos uma história de alto consumo de cerveja, passamos muito tempo como cervejeiros de uma nota só,” explica o baiano Nelson Souza, sommelier de cerveja.

O primeiro “boom” da cerveja artesanal baiana

A revolução da cerveja artesanal se contrapõe ao hábito das cervejas mainstream, produzidas em massa por grandes conglomerados industriais, seguindo receitas minimalistas, econômicas, com partes mínimas de lúpulo e malte, feitas para serem consumidas ultrageladas como forma de não nos apercebermos das qualidades que deviam estar lá, mas não estão.

A primeira microcervejaria artesanal regular da Bahia é a Arraial D´Ajuda, em Porto Seguro, e já opera desde 1984. As excelentes microcervejarias baianas Mindubier e Frangote concorreram, recentemente, em concursos promovidos pela Bier Hub em São Paulo e levaram o grande prêmio. Ganharam com isso o financiamento da produção de 500 litros da sua cerveja, na chamada produção cigana, que utiliza, de uma outra cervejaria já regularizada, a estrutura de equipamentos e a licença para comercialização.

A Bier Hub é um acelerador, como eles mesmo se denominam, uma plataforma apoiadora para cervejeiros artesanais.

Localmente temos a Acerva Baiana (Associação dos Cervejeiros Artesanais da Bahia) fazendo também o papel de apoiadora dos cervejeiros hobistas e divulgadora da cultura cervejeira. Eles promovem cursos e já estão indo pra quinta edição do Festival de Cerveja Artesanal da Bahia, que irá acontecer no dia 17 de dezembro. Visite o site deles para mais informações. www.acerva.com.br

Equipamentos, orientações e matérias primas são fáceis de encontrar na Bahia Malte. Qualquer um já pode fazer sua própria cerveja, até na garagem de casa.

Ainda existem algumas dificuldades para empreender como microcervejeiro, mas é fato, também, que avançamos. A Brascerva (Associação Brasileira de Cervejarias Artesanais) pleiteou e conquistou para a classe o direito ao enquadramento no regime tributário do Simples. É que as microcervejarias eram encaradas da mesma forma que as grandes.

Por fim, aguardamos ansiosos a vontade política para que a Berenice e a Sotera consigam logo o seu Mapa (Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento), registro necessário para que possam produzir e comercializar suas deliciosas cervejas.

Fonte: http://atarde.uol.com.br/coluna/cacomarinho/1818552-breve-historia-da-cerveja-e-os-homebrews-baianos-premium